domingo, 10 de julho de 2011



"Eu sou o que você é! Eu sou solidão em busca de companhia. Carinho em busca de afeto. Uma mulher em busca de um marido, um pai pros meus filhos. Alguém que queira amar, construir, trabalhar, viver em paz longe das loucuras desse mundo. Quero alguém pra dividir a aventura que é viver."

Filme-A mulher Invisível 
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"Somos tão um. Somos tão dois. Estamos ao lado e distantes. Assim como a madrugada, talvez uma canção mal acabada. Versos incompletos. Carta não assinada. Uma linha sem fim. Conhecidos e desconhecidos. Cúmplices e inimigos. Parecidos com uma tela ainda sem cor. Ou quem sabe um painel cheio de tintas e nenhuma definição? Pintura abstrata. Mas que é muito exata. Exata no que se refere ao que fala o coração."
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"Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? O que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver! Sossega, o que vai acontecer, acontecerá! Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará."
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terça-feira, 5 de julho de 2011



Vim aqui dizer para você que tenho lido e visto coisas duras sobre o amor. Sinto como se o meu coração fosse uma gaveta enorme, que cabe tudo, desde miudezas até chumbo, porque chumbo pesa. O amor é para ser leve, mas as coisas que tenho ouvido são difíceis de pensar. Quando eu era menor fazia uma imagem bem específica do amor, cresci e vi que nada daquilo era real, que ele era muito mais e eu tinha mais ainda para descobrir sobre o mais que eu achava que ele era. Sei que parece confuso, mas o amor é confuso de vez em quando e a minha gaveta está cheia, preciso ir tirando tudo de dentro para contar para você o que realmente faz falta e é necessário ficar lá. Depois eu fecho novamente e espero a próxima faxina, mas por enquanto me escute um segundo. Ou muitos, sou demorada.
No começo tudo são flores, tudo é bonito. Com o tempo os problemas vão aparecendo e, junto com eles, a rotina. Que coisa desconfortável. Você embarca em um relacionamento e, acredito eu, se você é alguém mentalmente e temporariamente saudável, por favor, você quer que dê certo. Ninguém se atira em uma relação pensando que pode dar errado, sei que existem muitos masoquistas por aí, eu já fui uma delas, gostava de sofrer e entrava em qualquer coisa apenas pelo prazer de me imaginar dali a alguns dias chorando abraçada na almofada do sofá, tendo como companhia qualquer coisa que queimasse a minha garganta e me desse a sensação de bebunzice temporária, só para esquecer, só vou esquecer hoje, amanhã tem dose dupla para esquecer duplamente. E no outro dia dose tripla, quanto mais você bebe mais demora para se embebedar, os dias passam e as doses aumentam, os dias passam e o sofrimento aumenta e eu gostava muito disso, deveria ter sido internada e amarrada, nunca vi uma sujeita gostar tanto de drama-drama-drama e homens que não-prestam-não-prestam-não-prestam. Repita comigo: ele (seja ele quem for) vai te tratar como você se permitir ser tratada. Se você se colocar no lugar de uma bromélia ele irá te tratar como uma bromélia.
A não ser que ele seja louco, você sabe que existem muitos homens loucos por aí, conheci muitos deles, conheci muitas espécies e tipos, alguns bem raros, outros em extinção - e ainda bem que estão. Ou não. Nada disso vem ao caso, o foco é: você entra em uma relação com o pé direito, pé de coelho, galho de arruda e antes, se der, toma um banho de sal grosso, afinal, por favor, eu quero que dê certo, muita sorte para mim, para você e para todo mundo que está neste exato momento beijando pela primeira vez ou beijando pela vez do quero-muito-que-dê-certo-porque-eu-mereço-ser-feliz. Antes que você pense que eu li algum livro barato e tosco de auto-ajuda-feminina eu vou mudar o rumo da prosa.
Especialistas (em quê?) dizem que a rotina estraga a vida de qualquer casal. Só um momentinho, mas a sua vida foge da rotina? Você mora na mesma casa, tem o mesmo emprego, a mesma família e os mesmos amigos. Óbvio que você pode se mudar, mas ninguém muda o tempo todo, a não ser que seja um mochileiro ou viajante ou hippie. Óbvio que você pode trocar de emprego, mas a coisa do jeito que anda, convenhamos, o que o povo quer é estabilidade. Dá para mudar, evoluir, mudar de ares, mas você não é garota de programa (suponho eu, se for tudo bem também, sou livre de preconceitos) para mudar o tempo inteiro. E olha que elas (ou vocês, quem não for não se sinta ofendida, hein?), apesar de mudarem de cliente, continuam fazendo o mesmo trabalho. Não preciso explicar tanto, você não tem cinco anos. E se tivesse eu não estaria aqui falando de garotas de programa e do que as garotas de programa fazem. Óbvio que você tem a mesma família, claro que uns morrem e outros nascem, mas a essência da família é sempre a mesma. Óbvio que você tem os mesmos amigos, afinal, os bons a gente quer manter até o fim. Sei que você é uma pessoa aberta e gosta de fazer novas amizades, portanto dá as boas vindas aos novos e mantém os velhos.
Em outras palavras: a sua vida é rotina pura. Existem dois caminhos que você pode escolher para ir até o trabalho, em um dia vai por um e em outro por outro. Mas só existem aqueles dois. Sua vida é rotina pura. Rotina, rotina. Especialistas (em quê?) dizem que a rotina estraga a vida de qualquer casal e eu digo que eles são burros. Um dia nunca é igual ao outro, mesmo que pareça. A gente enxerga a mesma coisa de muitas formas, apesar de só termos dois olhos. Não acho que a rotina enche o saco, acho que você enche o saco por pensar que a rotina pode vir a encher o saco. São coisas bem diferentes. Não dizem que criança precisa ter rotina? Tem hora para dormir, para escovar os dentes, para fazer o dever da escola, para brincar, para ir para o colégio. Por que depois que a gente cresce resolvem dizer que a rotina ferra tudo?
Acho que no começo a tendência é mostrar o lado mais escovado e maquiado. Depois você vai relaxando, em um dia sai com o cabelo molhado, no outro passa só um rímel, daqui a pouco, bum, você aparece sem escova e sem maquiagem. O cara pode sair da mesma forma que entrou: pela porta da frente. Ou pode sair pela janela, correndo de medo. O amor é como a dança, você tem que estar receptiva a novos passos. Às vezes você precisa se deixar conduzir, em outras tem que ter a iniciativa de dar uma voltinha ou fazer uma pirueta (que dança é essa?). Ele não é sempre igual, apesar do sentimento beber da mesma fonte. O principal é você ser sempre você, assim ninguém sai prejudicado por ter feito projeções ou criado ilusões em cima de imagens. Sinceridade e autenticidade, sempre.
O amor dura só dois anos, depois vira amizade. Ou você continua amiga ou parte para uma nova paixão. Epa, como assim? Existe uma diferença básica entre amor e paixão, o dia em que você amar perceberá, não adianta eu tentar usar todo o meu estoque de frases para explicar algo que só pode ser sentido.
Se o amor dura pouco assim, por favor, prefiro acreditar em coisas bela adormecidescas. Depois acaba, todo mundo diz que um dia, depois, acaba. Tem que acabar mesmo?, eu me pergunto. Se é bom não deveria ter fim, certo? E as pessoas insistem em dizer que tudo acaba um dia. Acho desesperador pensar assim, pois se funciona exatamente desta forma é preferível viver no mundo dos sonhos, da imaginação, em que tudo é permitido e bonito.
O amor, assim como a vida, não nos dá garantias. Você não sabe quando, como e onde vai morrer (só se você comprou uma bola de cristal, bom, então por favor me passe o seu endereço que quero umas previsões para o ano que vem). E ainda assim vive. Vive como se fosse imortal, pois as pessoas têm essa mania, pensam que tudo podem. Você não sabe até quando, de que forma e por qual motivo vai continuar amando ou vai começar a amar. E ainda assim ama, ou não, uns fogem do amor como se ele fosse inimigo. Que seja eterno enquanto dure. Desculpa, mas eu sou criança. Quando eu era criança pensava que os meus pais iam durar para sempre, achava que eles nunca morreriam. Sei que um dia, tomara que demore muito, eles irão para outro lugar. Mas ainda assim, para mim, serão eternos. Penso assim por sentir um amor infinito por eles. É tão estranho amar alguém, é tão bom e ao mesmo tempo amedrontador, pois você quer que seja eterno, que dure para sempre e se durar até depois do sempre será ainda melhor. Por isso eu ando aflita com essas coisas de amor, com o que dizem. Acho pequeno demais pensar que por dois anos tudo fica bem e depois estraga, acho ruim demais pensar que no começo tudo é belo e depois enfeia, acho triste demais achar que a rotina embaralha os sentimentos.

Talvez tudo isso aconteça por te amar demais. Não de um jeito possessivo e louco, mas de um jeito que me dá a certeza de querer você sempre ao meu lado. Até depois do fim de tudo. Ou do começo. Porque o amor é libertação.
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